Blog Dr. Eliney Faria

Terapia de reposição de testosterona (TRT) e câncer de próstata: Uma revisão sistemática atualizada com foco no câncer de próstata localizado tratado ou ativo

Terapia de reposição de testosterona (TRT) e câncer de próstata: Uma revisão sistemática atualizada com foco no câncer de próstata localizado tratado ou ativo
Uma revisão interessante do Dr. Louis Lefant da Universidade de Paris (Sorbonne), publicada em 2020 na revista Urologic Oncology, mostrou que muitas vezes a reposição de testosterona é contraindicada devido ao risco teórico de progressão do câncer de próstata (CAP) com base no dogma de que este tumor poderia perder seu controle. A terapia de reposição de testosterona (TRT) é cada vez mais discutida e proposta para pacientes hipogonádicos com CAP localizado. A equipe de Lefant realizou uma revisão sistemática no Medline e Cochrane, de acordo com as diretrizes do PRISMA. Foram avaliados todos os artigos de texto completos publicados de janeiro de 1994 a fevereiro de 2018. Destaque para estudos prospectivos, séries com dados observacionais e ensaios controlados randomizados. Artigos sobre a segurança da terapia de testosterona foram categorizados por tipo de manejo de CAP (vigilância ativa ou tratamento curativo por prostatectomia radical, radioterapia externa ou braquiterapia). Inclusive tambem avaliou vários guidelines de sociedades ligadas a oncologia. A conclusão do estudo foi que para pacientes sem CAP não conhecido, as evidências parecem suficientes para sugerir que a terapia andrógena não aumenta o risco de descoberta subsequente de CAP. As evidências disponíveis sugerem também que TRT não aumenta o risco de recidiva ou progressão de CAP. Até que os dados mais definitivos sejam disponíveis, os médicos que desejam oferecer os benefícios da terapia de testosterona aos seus pacientes hipogonádicos com CAP devem pesar os riscos e benefícios. Deve-se monitorar cuidadosamente o paciente, seu PSA e seus níveis de testosterona.

Prof. Dr. Eliney Ferreira Faria